O Ministério Público Federal instaurou nesta quinta, 25, uma investigação sobre o caso de empresários mineiros que adquiriram e aplicaram doses de vacinas da covid-19 às escondidas em Belo Horizonte. O esquema foi revelado pela revista Piauí e também é alvo de apuração da Polícia Federal. Segundo a revista, o grupo formado por políticos e empresários do setor de transportes adquiriu doses da Pfizer e aplicaram secretamente em 50 pessoas. Cada uma pagou R$ 600 pela vacina.
As imagens exibem uma aglomeração de carros em volta da entrada do local. Uma mulher de jaleco branco vai até o porta-malas de um carro, retira a vacina, e aplica nos motoristas. Alguns descem do carro para receber sua dose. Outros são vacinados dentro do próprio carro. Uma outra pessoa anota nomes em uma ficha, como se estivesse confirmando cada vacinação dada.
Um dos que teriam recebido a dose foi o ex-senador Clésio Andrade, ex-presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT). “Estou com 69 anos, minha vacinação (pelo SUS) seria na semana que vem, eu nem precisava, mas tomei. Fui convidado, foi gratuito para mim”, disse à Piauí.
Ao Estadão, Andrade negou ter sido vacinado pelo grupo. “Desconheço. Estou em quarentena aqui no Sul de Minas. Tive covid”, afirmou. As doses da Pfizer contratadas pelo Ministério da Saúde ainda não chegaram ao País. A farmacêutica nega ‘qualquer venda ou distribuição de sua vacina contra a covid-19 no Brasil fora do âmbito do Programa Nacional de Imunização’. “A vacina COMIRNATY ainda não está disponível em território brasileiro”, frisou, em nota.

